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Terça-feira, 17 de Junho de 2008

Menino homem...

 

 

menino feito homem

 

(Foto retirada da net)

 

Chegou o dia, que para nós começava a ser um ritual... o de abertura de mais uma carta.

Olhávamos uma para a outra...a ver quem seria desta vez a ler.

A Pilar não se fez de rogada...e agarrou num envelope que estava mesmo na parte de cima da caixa.

Abriu-o e como uma pena a flutuar, saiu lá de dentro uma foto.

Talvez fosse de quem a escrevia, era o mais certo, pensamos.

Eu fiquei a olha-la por uns segundos... contemplei aquele rosto, sem saber o que viria a seguir.

Pilar, colocou a voz, como andava a aprender nas suas aulas de canto, e começou :

 

 

 

Querida Mãe,

 

Desejo que ao receberes esta carta, o teu coração fique mais tranquilo.

Sai da casa do pai, tinhas razão, como sempre, já tinhas sido enganada por ele, e fez o mesmo comigo.

Quando comecei a trabalhar, correu tudo bem, durante os primeiros tempos.

Quando recebi o primeiro ordenado, ficou com metade, começou a ser rotina.

De inicio não reclamei, quis aproveitar para o conhecer melhor, foram tantos anos de ausência, de falta de convívio, tentei dar-lhe o beneficio da dúvida.

A situação manteve-se e tentei arranjar uma solução... mal eu sabia o que iria acontecer.

Falei com a companheira dele, houve uma grande discussão entre ambos e o pai pôs-me na rua.

Mãe, escrevo estas linhas a chorar, nunca pensei, que isto fosse possível...mas ajudou-me a crescer e a tornar-me no homem que hoje sou.

Durante algum tempo, dormi debaixo do carro dele, chegava do trabalho e adormecia, para de manhã me levantar bem cedo, antes que alguém saísse de casa.

Passei fome e frio, a noite de Natal desse ano, foi passada a pensar em ti e na nossa família, só assim consegui suportar o frio que fazia.

Conheci a Clara, os pais dela acolheram-me como a um filho, trataram de mim, das minhas feridas, as visíveis e as da alma.

Vamos casar brevemente, adorava que estivessem todos presentes.

Estou feliz Mãe, nunca me esqueci de ti , nem da nossa família.

Amo-vos a todos.

 

Com saudades,

 

 

João Ricardo

 

 

 

 

publicado por Raquel às 18:25
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